Image is not available
20 NOV - 19H
ABERTURA OFICIAL PLATEAU

SESSÂO DE ABERTURA
CABO VERDE: UMA HISTÓRIA IMERSA. Realizaçao: Emanuel C D’Oliveira (Monaya) e Erwan Savin
Slider

PLATEAU É UMA REALIDADE IRREVERSÍVEL

0
0
0
s2smodern


1

 

Plateau, Centro Histórico da Cidade da Praia é, partir desta sexta-feira,21, palco de realização da 1ª Edição do Plateau: Festival Internacional do Cinema da Praia. Uma iniciativa da Câmara Municipal da Praia, em parceria com o Ministério da Cultura, Associação de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde, FICINE e Txan Film, 

Com o Cineteatro do Plateau, completamente reabilitado e composto de gente amante da sétima arte, teve início na tarde de sexta-feira, 21, o Plateau: Festival Internacional de Cinema da Praia. O chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca e a primeira-dama, Lígia Fonseca, marcaram presença no evento. O certame conta a presença de 14 países, incluindo o País anfitrião (Cabo Verde), mais de 80 filmes, entre competitivos e não competitivos e especialistas do mundo da sétima arte, oriundo de diversas partes do mundo. 

Na sua locução de boas-vindas aos presentes, o presidente da Câmara Municipal da Praia, Ulisses Correia e Silva considera que o Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, é um acontecimento marcante na história do cinema em Cabo Verde, particularmente, da Praia. “Este evento remete-nos para os anos em que esta casa (Cinema da Praia) acolhia filmes, que despertavam grandes interesses dos cinéfilos da Praia. Para além do entretenimento, o cinema era, igualmente, o ponto de encontro dos amigos e um pretexto para uma prosa. Pessoas como: Nha Chumpinha, António Fausto, Hugo Bettencourt, Anastácio Filinto Correia e Silva e Ratinho, são alguns nomes que gostava, aqui, de destacar, como rostos do cinema, na Praia. Quem quisesse escrever sobre a história do Cinema da Praia teria, necessariamente, de ouvir os testemunhos dessas pessoas”, sublinha Correia e Silva para quem o Festival de Cinema da Praia é uma realidade irreversível. Ou seja, veio para ficar, nas palavras do edil praiense.

Depois de Ulisses Correia e Silva fazer as honras da casa, coube também ao Ivan Santos, diretor executivo do Festival fazer o enquadramento do certame. Santos começou por agradecer a presença de todos e de uma maneira muito especial, aos convidados internacionais (realizadores, produtores e jornalistas com especialidade em cinema). “Este festival resulta de uma parceria entre várias instituições e conta com a presença de 14 países, incluindo Cabo Verde, mais de 83 filmes, sendo 26 para a competição e 57 filmes fora de competição. Cabo Verde participa com 15 filmes de produção nacional. Temos, ainda, 5 filmes de produção estrangeira sobre temática cabo-verdiana. Portugal é o país mais representado neste festival, com 29 filmes seguido de Brasil com 21 filmes. Todos os países dos PALOP’s estão representados neste evento. Relativamente aos países da CPLP, só Timor Leste e Guiné Equatorial é que não estão presentes neste certame. Africa, Europa, América e Ásia são os continentes que participam neste acontecimento cultural”, explica Ivan Santos. 

Para o responsável do festival, este acontecimento só foi possível graças a comunhão de esforços entre várias instituições como o Ministério da Cultura, a Associação de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde, a FICINE e Txan Film que, de forma abnegada, trabalharam para a realização deste evento. “Com a realização deste festival ficamos cada vez mais convencidos que, as sinergias no mundo das artes, são também importantes para o seu engrandecimento”, assevera Ivan Santos que aproveitou a ocasião para agradecer todos os que de uma forma ou de outra contribuíram para que este festival fosse possível. 
O público fica deleitado com “Alma Ta Fika”

O filme “Alma Ta Fika”, do realizador português João Sodré, estreou-se neste festival, embora tenha sido produzido em finais dos anos 80. O filme, conta a história do drama social dos anos 40 em que os cabo-verdianos viam-se confrontados com o dilema da necessidade de imigração para o Sul (São Tomé e Príncipe) e ter que ficar, pela força do cordão umbilical que os ligava ao torão natal. 

Curiosamente, esse drama social não foi explorado pelo João Sodré, que, provavelmente, quis mitigá-lo de forma muito feliz, através da poética musical. O público presente pode deleitar-se com a performance dos artistas de renome cabo-verdiano, como Sema Lopi; Codé di Dona, Nha Nácia Gomi, António Denti Douro, Anu Nobu, Vasco Martins, entre outros. 

Um outro acontecimento marcante desse filme, tem que ver com, com a origem da morna. Vasco Martins, um dos testemunhos entrevistados nesse filme, explica que a morna tem a origem africana; que através de “Lundu” viajou até ao Brasil e aí dá-se uma simbiose com outros géneros musicais, para depois regressar a África e a Cabo Verde, originando a morna. De acordo com aquele musicólogo, a morna terá uma ligação de irmandade com o Fado, pelo que exorta os investigadores a continuarem a trabalhar no aprimoramento da origem da morna. 

No final deste primeiro dia do festival, a satisfação estava estampada na cara das pessoas, que deram nota positiva a mais esta iniciativa da Câmara Municipal da Praia, liderada por Ulisses Correia e Silva.